segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

A pressão nas contas públicas do desemprego

Partindo do princípio que é muito difícil mexer nas prestações sociais e nos salários da função pública, e que o efeito de eventuais mexidas apenas seria visível a médio prazo, não há incentivo a que um governo que se mantém apenas 4 anos no poder possa avançar grande coisa nestes assuntos.

Assim, resta o crescimento económico.

Pelas minhas contas de merceeiro, um acréscimo do emprego em 1%, teria impacto directo nas contas públicas de, pelo menos, 0.1% do PIB. Portanto, é aqui que se pode mexer, no imediato, e deixar outros temas mais sensíveis para depois.

Dotar o país de condições para atrair investimento é fulcral, e se pensarmos numa taxa de desemprego em torno dos 9%, teríamos impacto direto de cerca de 0.5% do PIB nas contas do Estado.

Assumindo este cenário, seria a altura certa para rever as pensões e a questão do financiamento da saúde, transferindo para os cidadãos uma responsabilidade acrescida nestes campos.

Mais uns dias e teremos as contas dos primeiros 9 meses do ano e procederei à análise habitual.

Até breve!

sábado, 18 de Outubro de 2014

Dívida a emitir em 2015

No Económico é referida a necessidade de financiamento de cerca de 11.000M€. Ora, isto corresponde a cerca 6.5% do PIB. Há outras variáveis a somar ao endividamento para além do défice orçamental.

Pelos meus cálculos muito a olho, a outra parte que soma ao financiamento necessário para 2015 está aqui indicada.

Números aproximados
PIB_2015 : cerca de 169.000.000.000€
Défice : 2.7% cerca de 4.500.000.000€
Capitalização das empresas públicas : 6.200.000.000€
Total de endividamento : 10.700.000.000€

O que bate certo com os 11.000M€ que é referido na notícia.

De qualquer modo, nota-se que o governo conta com os portugueses para continuarem a suportar os gastos do Estado, através de poupança pessoal. Um pouco mais de 20% da endividamento irá ser suportado por particulares, via certificados de aforro e do tesouro.

Isto reduz, em parte, a nossa dependência do exterior mas coloca mais pressão quer nos particulares, incentivando a produção e a poupança, que no governo, que desta forma terá de ter um cuidado ainda mais acentuado na gestão dos dinheiros públicos pois estão a receber um grande capital de confiança dos cidadãos que colocam o dinheiro à disposição dos governantes.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Défice 2.7% em 2015

No próximo ano o défice do Estado está estimado em 2.7%.

O que é o défice? É dívida que o Estado terá de assumir para reembolsar no futuro.

Assumindo a taxa paga, em média, nos últimos 12 meses diria que, só em juros, teremos de pagar 150.000.000€ por ano para pagar este défice.

É mais um peso para os contribuintes no futuro. A despesa, continua a níveis muito altos. Continua a baixar a despesa corrente primária, basicamente à custa do bolo salarial assegurado pelo Estado.

Até breve!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Obrigações: reembolso 15/10/2014

Ontem que venceram Obrigações a 5 anos.
Reembolso : 5.107M€

Juros pagos nesta e noutras emissões, entre ontem e hoje: 1.533M€

A almofada levou um rombo, mas a dívida emitida deverá ter descido. Isso deverá ser notório quando atualizar os dados relativos à dívida pública.

Até breve!

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Emissão de bilhetes do tesouro - 2014/10/15

O Estado Português emitiu hoje 1.000M€ em Bilhetes do Tesouro a 3 e a 9 meses. Esta emissão é pequena e deverá ter servido para a tal almofada que tanto se fala. O que é facto é que a taxa foi baixa, e isso ajudará, ainda que marginalmente, o pagamento de juros que atualmente pesa muito no orçamento.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

E se trocássemos dívida com o FMI?

O apoio ao financiamento do Estado e de muitas instituições portuguesas de 2011 permitiu que os juros pagos não fossem disparatados e permitiu ganhar algum tempo para se colocarem as contas públicas com outro aspeto. Dito de outra forma, reestruturamos e reescalonamos a dívida sem que tivessos chamado os bois pelos nomes.


Para isso, o Estado deixou de levantar dinheiro no mercado e um trio (a troika) de instituições mundiais desempenhou o papel de cedência de liquidez.


As taxas a pagar andam pelos 3.5%, ...

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Durante o mês de Outubro, muitos juros a pagar!

Nas obrigações, há que saldar cerca de 1533M€, e amortizar 5107M€.

A tão falada almofada, sofrerá aqui um rombo considerável.

A boa notícia é que isto já está tudo assegurado. Hoje mesmo, emitiram-se 1000M€ a 6 anos a uma taxa de 1.8%. A dívida aumenta, a taxa dos juros pagos diminui. Infelizmente, está a demorar muito tempo que isto se faça sentir no orçamento de Estado.

Até breve!

quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Dívida Pública como %% do PIB - vários países

Para se ter ideia da situação em Portugal, comparativamente a outros países, podemos espreitar este site:


Como é evidente, não me responsbilizo pelo números aí revelados. Mas poderão dar uma ideia aproximada da situação global.

Até breve!

quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Execução Orçamental - AGO/2014

Os dados mensais, comparados com os do ano passado:

Receita Total : 26585.7M€ ( + 1376.6M€ ; + 5.5% )
Das quais :
Receitas fiscais : 23769.0M€ ( + 1702.7M€ ; + 7.7%)
IRS : 8240.0€ ( + 873.3M€ ; + 11.9%)
IRC : 2499.7€ ( - 108.3M€ ; - 4.2%)
IVA : 9230.3€ ( + 679.8M€ ; + 8.0%)
ISP : 1380.1€ ( + 3M€ ; + 0.2%)

Despesa Total : 32262.2M€ ( + 1025.8M€ ; + 3.3%)
Despesa Corrente Primária : 27808.3€ ( + 572.0M€ ; + 2.1%)
Despesa de Capital : 792.7€ ( - 162.5M€ ; - 17.0%)

Saldo : -5676.2M€ ( + 350.8M€ ; -5.8% ; aprox. -3.5% PIB previsto em 2014 )

Com os dados de uma soma móvel de 12 meses, para atenuar fatores extraordinários que possam desvirtuar um pouco os dados mês-a-mês, os números que considero relevantes, relativamente aos últimos 12 meses terminados em AGO2014 comparados com os dos últimos 12 meses terminados em AGO2013:
  • Receita fiscal :  +4603M€ ; + 13.8%  (crescimento alto, ainda)
  • Despesa corrente primária : + 575M€ ; + 1.4% (ainda a sofrer pelo subsídio de férias?)
  • Saldo primário : + 3352M€; (maioritariamente devido ao grande aumento da receita fiscal)
  • Juros : + 661M€ ; + 10.0% (a dívida está a aumentar a um ritmo idêntico ao de há 12 meses, os juros pesam e muito. Em outubro de 2013, foram pagos 1856M€ de juros. Este é um mês chave, pela quantidade de obrigações que vencem juros nesse mês)
Curiosidades
  1. os juros CoCo bonds renderam 228.8M€ este ano, até final de agosto,
  2. as multas do código da estrada renderam 43.3M€ (-16% que nos primeiros 8 meses de 2013)
  3. Variação das despesas com pessoal : + 8.9% ( + 510M€ )
  4. Variação das despesas juros : + 11.3% ( + 454M€ )
Até breve!

Dívida Pública Portuguesa - AGO/2014

Dívida Pública Portuguesa total (AGO/2014) : 216.696.817.030


A dívida teve a seguinte variação média diária nos períodos indicados: 

2014 : + 25.349.005€ (últimos 12 meses terminados em AGO/2014)
2013 : + 26.667.217€
2012 : + 53.616.271€
2011 : + 63.331.160€
2010 : + 52.132.112€

2009 : + 39.133.457€

Este mês a dívida aumentou cerca de 925M€, cifrando-se em 216.696.817.030€

Comentários:

1. nos últimos 12 meses, os certificados de aforro e tesouro foram responsáveis por cerca de 41% do aumento da dívida, o que significa que uma parte substancial da dívida é poupança interna.

2. 7.0% do total da dívida é detida, diretamente, por particulares (5.5% há um ano). Este valor tem aumentado e é um bom sinal do lado da poupança. Por outro lado, parte destes valores vieram, certamente, do BES e de outras instituições. Só este mês, 60% do aumento da dívida foi subscrita por particulares, via certificados de aforro e do tesouro.

Tal como foi escrito num post anterior : Agosto é um mês calmo no pagamento de juros e amortizações, por isso deveremos observar uma certa estabilidade na dívida relativamente a estes dados.

Confirmou-se.

Relativamente a Setembro, acredito que poderá haver uma ligeira diminuição da dívida, em virtude de não haver pagamento de juros em obrigações. Há bilhetes do tesouro para rolar mas isso tem sido feito sem grandes percalços. São cerca de 2470M€, que estarão completamente assegurados. Uma almofada de 1000M€ foi também adicionada em vésperas desta amortização.

Até breve!