sábado, 25 de Outubro de 2014

Execução Orçamental - SET/2014

Os dados mensais, comparados com os do ano passado:

Receita Total : 30609.4M€ ( + 1114.4M€ ; + 3.8% )
Das quais :
Receitas fiscais : 27559.7M€ ( + 1879.2M€ ; + 7.3%)
IRS : 9461.2€ ( + 941.5M€ ; + 11.1%)
IRC : 3378.6€ ( - 81.2M€ ; - 2.3%)
IVA : 10283.0€ ( + 738.4M€ ; + 7.7%)
ISP : 1571.1€ ( - 10.3M€ ; - 0.7%)

Despesa Total : 35799.9M€ ( + 861.7M€ ; + 2.5%)
Despesa Corrente Primária : 30209.5€ ( - 181.7M€ ; - 0.6%)
Despesa de Capital : 873.2€ ( - 186.8M€ ; - 17.6%)

Saldo : -5190.5M€ ( - 252.7M€ ; -5.8% ; aprox. -3.1% PIB previsto em 2014 )

Com os dados de uma soma móvel de 12 meses, para atenuar fatores extraordinários que possam desvirtuar um pouco os dados mês-a-mês, os números que considero relevantes, relativamente aos últimos 12 meses terminados em SET2014 comparados com os dos últimos 12 meses terminados em SET2013:
  • Receita fiscal :  +4287M€ ; + 12.7%  (crescimento alto, ainda)
  • Despesa corrente primária : - 471M€ ; - 1.1% (finalmente a descer um pouco, atenuando a questão dos subsídios de férias pagos no verão)
  • Saldo primário : + 451M€; (era negativo no final de agosto, agora é positivo)
  • Juros : + 587M€ ; + 9.1% (a dívida está a aumentar a um ritmo idêntico ao de há 12 meses, os juros pesam e muito. Em outubro de 2013, foram pagos 1856M€ de juros. Este é um mês chave, pela quantidade de obrigações que vencem juros nesse mês)
Curiosidades, acerca do ano de 2013 até final de setembro:
  1. os juros CoCo bonds renderam 228.8M€;
  2. as multas do código da estrada renderam 49.4M€ (-15%)
  3. Variação das despesas com pessoal : + 10.4% ( + 677M€ )
  4. Variação das despesas juros : + 3.7% ( + 168M€ )
No próximo mês, acredito numa deterioração do saldo, via juros elevados a pagar ao longo de outubro.

Até breve!

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Dívida Pública Portuguesa - SET/2014

Dívida Pública Portuguesa total (SET/2014) : 220.036.200.366


A dívida teve a seguinte variação média diária nos períodos indicados: 

2014 : + 44.446.051€ (últimos 12 meses terminados em SET/2014)
2013 : + 26.667.217€
2012 : + 53.616.271€
2011 : + 63.331.160€
2010 : + 52.132.112€

2009 : + 39.133.457€

Este mês a dívida aumentou cerca de 3.339M€.

Comentários:

1. nos últimos 12 meses, os certificados de aforro e tesouro foram responsáveis por cerca de 26% do aumento da dívida, o que significa que uma boa parte da dívida é poupança interna.

2. 7.1% (7.0% no mês passado) do total da dívida é detida, diretamente, por particulares. Esta %% continua a aumentar, o que são boas notícias pois significa que a dependência externa se atenuou mais um pouco. No mês passado, 26% do aumento da dívida foi subscrita por particulares, via certificados de aforro e do tesouro.

Fruto de uma ligeira mudança no perfil mensal das emissões, verificou-se este mês um aumento que deverá ser compensado nos dados do mês de Outubro.

Este aumento deverá estar relacionado com a necessidade de se terem pago muitos juros e de se ter feito uma amortização grande em outubro, tal como escrevi aqui.
Até breve!

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Dívida Pública - Que dados considerar?

Segundo esta notícia do Económico, a dívida pública no final de junho de 2014 era de

221.400.000.000€
(129.4% PIB)

o que representa uma quebra de 2.2p.p. ou, 1.900.000.000€.

Estes dados não coincidem com os que aqui divulguei, deverão incluir dívida de empresas públicas ainda que não aparecem nas emissões do IGCP e também não batem certo com as do Banco de Portugal.

Sinceramente, não sei que valor considerar, irei continuar a acompanhar a evolução das emissões de dívida do IGCP, e a reportada pelo Banco de Portugal.

Embora, para simplificação e melhor informação, apenas um valor devesse ser divulgado, assim como as parcelas que o compõem.

Até breve!

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

A pressão nas contas públicas do desemprego

Partindo do princípio que é muito difícil mexer nas prestações sociais e nos salários da função pública, e que o efeito de eventuais mexidas apenas seria visível a médio prazo, não há incentivo a que um governo que se mantém apenas 4 anos no poder possa avançar grande coisa nestes assuntos.

Assim, resta o crescimento económico.

Pelas minhas contas de merceeiro, um acréscimo do emprego em 1%, teria impacto directo nas contas públicas de, pelo menos, 0.1% do PIB. Portanto, é aqui que se pode mexer, no imediato, e deixar outros temas mais sensíveis para depois.

Dotar o país de condições para atrair investimento é fulcral, e se pensarmos numa taxa de desemprego em torno dos 9%, teríamos impacto direto de cerca de 0.5% do PIB nas contas do Estado.

Assumindo este cenário, seria a altura certa para rever as pensões e a questão do financiamento da saúde, transferindo para os cidadãos uma responsabilidade acrescida nestes campos.

Mais uns dias e teremos as contas dos primeiros 9 meses do ano e procederei à análise habitual.

Até breve!

sábado, 18 de Outubro de 2014

Dívida a emitir em 2015

No Económico é referida a necessidade de financiamento de cerca de 11.000M€. Ora, isto corresponde a cerca 6.5% do PIB. Há outras variáveis a somar ao endividamento para além do défice orçamental.

Pelos meus cálculos muito a olho, a outra parte que soma ao financiamento necessário para 2015 está aqui indicada.

Números aproximados
PIB_2015 : cerca de 169.000.000.000€
Défice : 2.7% cerca de 4.500.000.000€
Capitalização das empresas públicas : 6.200.000.000€
Total de endividamento : 10.700.000.000€

O que bate certo com os 11.000M€ que é referido na notícia.

De qualquer modo, nota-se que o governo conta com os portugueses para continuarem a suportar os gastos do Estado, através de poupança pessoal. Um pouco mais de 20% da endividamento irá ser suportado por particulares, via certificados de aforro e do tesouro.

Isto reduz, em parte, a nossa dependência do exterior mas coloca mais pressão quer nos particulares, incentivando a produção e a poupança, que no governo, que desta forma terá de ter um cuidado ainda mais acentuado na gestão dos dinheiros públicos pois estão a receber um grande capital de confiança dos cidadãos que colocam o dinheiro à disposição dos governantes.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Défice 2.7% em 2015

No próximo ano o défice do Estado está estimado em 2.7%.

O que é o défice? É dívida que o Estado terá de assumir para reembolsar no futuro.

Assumindo a taxa paga, em média, nos últimos 12 meses diria que, só em juros, teremos de pagar 150.000.000€ por ano para pagar este défice.

É mais um peso para os contribuintes no futuro. A despesa, continua a níveis muito altos. Continua a baixar a despesa corrente primária, basicamente à custa do bolo salarial assegurado pelo Estado.

Até breve!

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Obrigações: reembolso 15/10/2014

Ontem que venceram Obrigações a 5 anos.
Reembolso : 5.107M€

Juros pagos nesta e noutras emissões, entre ontem e hoje: 1.533M€

A almofada levou um rombo, mas a dívida emitida deverá ter descido. Isso deverá ser notório quando atualizar os dados relativos à dívida pública.

Até breve!

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Emissão de bilhetes do tesouro - 2014/10/15

O Estado Português emitiu hoje 1.000M€ em Bilhetes do Tesouro a 3 e a 9 meses. Esta emissão é pequena e deverá ter servido para a tal almofada que tanto se fala. O que é facto é que a taxa foi baixa, e isso ajudará, ainda que marginalmente, o pagamento de juros que atualmente pesa muito no orçamento.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

E se trocássemos dívida com o FMI?

O apoio ao financiamento do Estado e de muitas instituições portuguesas de 2011 permitiu que os juros pagos não fossem disparatados e permitiu ganhar algum tempo para se colocarem as contas públicas com outro aspeto. Dito de outra forma, reestruturamos e reescalonamos a dívida sem que tivessos chamado os bois pelos nomes.


Para isso, o Estado deixou de levantar dinheiro no mercado e um trio (a troika) de instituições mundiais desempenhou o papel de cedência de liquidez.


As taxas a pagar andam pelos 3.5%, ...

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Durante o mês de Outubro, muitos juros a pagar!

Nas obrigações, há que saldar cerca de 1533M€, e amortizar 5107M€.

A tão falada almofada, sofrerá aqui um rombo considerável.

A boa notícia é que isto já está tudo assegurado. Hoje mesmo, emitiram-se 1000M€ a 6 anos a uma taxa de 1.8%. A dívida aumenta, a taxa dos juros pagos diminui. Infelizmente, está a demorar muito tempo que isto se faça sentir no orçamento de Estado.

Até breve!